A igreja de S.Lázaro foi pequena no passado sábado para receber um concerto do agrupamento Cappella Bracarensis ao som do órgão de tubos daquela igreja e recentemente restaurado. A iniciativa contou com a presença do jovem organista Rui Soares e teve os apoios da Junta de Freguesia de S. José de S. Lázaro e da respectiva paróquia.
João Pires, presidente da Junta de Freguesia de S. Lázaro destacou a importância dos do desenvolvimento dos eventos culturais da freguesia como motor de dinamização da mesma.
Peças de compositores portugueses fizeram as delícias dos muitos ouvintes. Joaquim Casimiro Júnior, foi o compositor em destaque, homenageado pelos 150 anos do seu falecimento, na interpretação do seu Credo solene, mas também se ouviram peças de Rodrigues Esteves e do italiano Cara Santino.
Num concerto bastante dinâmico, foram apresentadas músicas a cappella, a órgão solo e de coro e órgão. Rui Soares interpretou obras de Bach e Buxtehude, no órgão de tubos recentemente restaurado pela paróquia.
Este investimento trouxe de volta um valioso património da comunidade, silenciado desde a demolição do antigo templo, que todos os presentes reconheceram ter sido uma boa opção, não só pela estética da própria caixa do instrumento, como pela sonoridade, que permite colocá-lo entre os melhores instrumentos de época, em Portugal.
Construído pelo organeiro famalicense Manuel Sá Couto, em 1817, o mesmo construtor do órgão do Bom Jesus do Monte, de São Vitor ou da igreja de São Marcos.
Com a recuperação deste instrumento Braga dá mais um passo para a valorização cultural de um património único, que faz de Braga das cidades com mais instrumentos antigos na Europa, com mais de 30 instrumentos na cidade, na maioria construídos nos séculos XVII e XVIII, infelizmente, na sua maioria ainda calados pela falta de utilização e por falta de sensibilidade para a sua recuperação e valorização.
Este concerto veio provar que é incomparável a qualidade sonora destes verdadeiros instrumentos musicais, para os quais não há imitação à altura, mesmo porque cada órgão é único.






